sexta-feira, 27 de outubro de 2017

SUBSIDIO PARA A HISTÓRIA DE PISÕES NO CONCELHO DE MOGADOURO


                       


  
 PISÃO NA RIBEIRA DO SOUTO-MOGADOURO



 Fui ao lugar do Souto- Mogadouro na companhia do amigo Dr. Jorge Afonso numa curta visita aos seus apiários. Sabendo  ele do meu gosto pelos moinhos movidos a água e sua  história fez questão  em  me levar à foz da ribeira do Souto local onde outrora laborava um moinho  bem estruturado, composto por dois conjuntos de cubos em granito de descarga de água bem como dois conjuntos de mós em perfeito estado de conservação mantendo ainda  ambas a segurelha peça de ligação da mó rotativa ao rodízio. As paredes  de toda a estrutura estão em bom estado e mesmo submersas pelas águas da bacia do baixo Sabor até chegar esta grande seca generalizada  mantêm a traça de original. 
Falávamos de património antigo existentes por estas  bandas muito dele perdido por falta de interesse  ou por incapacidade da sua manutenção. Permitam-me a minha modesta forma de ver  a questão do património existente na bacia do Baixo Sabor! Antes da construção das barragens diziam os iluminados que todo o património era para preservar fosse ele o que fosse. Guardaram -se a apenas fotografias para mais tarde recordar porque de resto sobram umas paredes para lagartos que também têm direito  a viver nos contornos deste anterior rio selvagem de beleza ímpar.

 Falava  o amigo do Pisão  naquele local existente bem no cume do rochedo de forma rectangular escavado na rocha. Mesmo coberto de  ramos e folhagem dá bem para ver e numa primeira abordagem pensei ser uma lagareta em que a escavação se parece com a existente no Castro de Castelo Branco mais propriamente no cabeço dos mouros. A existência do moinho com toda a sua estrutura  na foz da ribeira junto desta escavação dá consistência  a ser um pisão.

                                    Pisões , um pouco da sua história e sua utilidade


Os tecidos de lã apresentavam-se frouxos quando saiam do tear, pouco consistentes e sujeitos a desfiar. Este pano designava-se "encherga" e tinha que ser pisoado ou seja fortemente batido estando molhado, para apertar e empastar as fibras da trama e da teia. Os dispositivos que desempenhavam esta função chamam-se pisões e acredita-se que esta actividade  tenha sido introduzida na península pelos romanos.
Tinham um conjunto de dois maços de madeira articulados numa engrenagem que lhes transmitia movimentos contínuos verticais, batendo o tecido que se colocava numa caixa aberta. Embebido em água ou noutros  produtos necessários para este fim, "incorporar / lavar /impermeabilizar".
A força motriz que movimentava os pisões era fornecida por uma roda movida por água corrente como um moinho ou azenha. A própria  estrutura era semelhante.








Isaías Cordeiro

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